Arquivos Mensais: maio 2015

Quem é Quem … Centopeia ou piolho-de-cobra

Quem é Quem … Centopeia ou piolho-de-cobra

Em nossas casas e jardins é comum aparecerem vários pequenos animais, que causam confusão para muita gente. Por exemplo,  centopeia, lacraia, piolhos-de-cobra, gagogi, gongolô, gangugi, etc. Vejam as diferenças entre eles abaixo:

  •  Lacraia ou centopeia

 Scolopendra  - Fazenda Escola da UFPI - Alvorada do Gurguéia (4)

Classificação:  Reino: Animalia; Filo: Arthropoda; Superclasse: Myriapoda; Classe: Chilopoda; Ordem: Scolopendromorpha e Scutigeromorpha.

Nome popular: Lacraia, centopeia.

Hábitat: As centopeias preferem locais úmidos, como debaixo de troncos, cascas de árvore e pedras, ocorrendo ocasionalmente em residências, especialmente em lugares úmidos como ralos de banheiros e bueiros.

Alimentação: Elas são muito ágeis e possuem hábitos alimentares carnívoros, vivendo à base de minhocas, baratas, pequenos lagartos e outros animais. Matam suas presas através de suas garras com veneno e, então, maceram suas presas com as mandíbulas. Estas “garras com veneno”, na verdade são um par de membros especiais sob a cabeça chamados “forcípulas”, capazes de injetar um veneno usado para paralisar suas presas.

Reprodução:  Algumas centopéias são ovíparas e outras vivíparas. Os jovens são semelhantes aos adultos quanto à forma do corpo.

Espécie comum: As centopeias do gênero Sphendononema possuem 15 pares de pernas e são frequentemente observadas em banheiros e lugares alagados, onde capturam os insetos.

Importância:  Apesar de possuirem órgão inoculador de veneno (as forcípulas), a maioria das espécies é inofensiva aos seres humanos. O veneno, geralmente, não é suficietemente tóxico para ser letal ao homem.

 

  • Embuá ou Gongolo ou Piolho-de-cobra

Diplopoda, Polydesmida - Luís Correia - Carnaval 2010 (3)

A principal característica dos piolhos-de-cobra é que possuem dois pares de pernas por segmento, o que os diferenciam das lacraias.

Classificação:  Reino: Animalia; Filo: Arthropoda; Superclasse: Myriapoda; Classe: Diplopoda; Ordem: Polydesmida.

Nome popular: piolho-de-cobra, gôngolo, milípede, mil pés, embuá

Hábitat: Preferem locais escuros e úmidos debaixo de troncos ou pedras. De modo geral, os milípedes são animais lentos e defendem-se enrolam-se quando pertubardos

Alimentação: A maioria é herbívora, alimentando-se de matéria vegetal em decomposição, embora, algumas vezes alimentam-se de vegetais vivos, causando problemas sérios em hortas e estufas.

Reprodução:  São ovíparos, as fêmeas depositam seus ovos em um ninho e os guardam com cuidado. As formas larvais possuem apenas um par de pernas em cada segmento.

Espécie comum: Eucampesmella sp.

Importância:   Não possuem órgãos inoculadores de veneno, portanto, não são peçonhentos. Muitos mílipedes também protegem-se de predadores produzindo fluidos tóxicos ou repelentes em glândulas especiais (glândulas repugnatórias), localizadas ao longo da lateral do corpo. Não se tem notícia de casos de envenenamentos fatais em seres humanos decorrente do contato com estas susbstâncias de defesa dos diplópodes. Estas secreções podem ocasionar lesões e necrose em áreas do corpo com pele mais sensível e até mesmo cegueira, em contato direto com os olhos, porém o sintoma mais comum é o surgimento de manchas enegrecidas na pele.

Sua importância na natureza se deve ao fato dos embuás contribuírem para a decomposição da matéria orgânica do solo.  Suas fezes intensificam a ação microbiana de mineralização  e sua motilidade superficial e subterrânea influencia a natureza física do solo e da serrapilheira, alterando sua porosidade, umidade e transporte de substâncias. O impacto dos diplópodes nos processos do solo é variável em função das características tanto das espécies, quanto do próprio sistema em questão. Através da sua atividade alimentar e produção de fezes, esses invertebrados são capazes de produzir uma estrutura granular importante em muitos tipos de solo. No entanto, o principal efeito dos diplópodes no ecossistema se dá pela sua atividade fragmentadora da serrapilheira, que estimula a atividade microbiana e influencia indiretamente o fluxo de nutrientes

* Revisado por Prof. Leonardo Carvalho/UFPI, Biólogo, Mestre em Zoologia.